PROFESSORA MARIA APARECIDA DA CUNHA RANALLI
PROFESSORA MARIA DO CARMO MAGRINI
Achei os depoimentos muito profundos e verdadeiros.Quero destacar as palavras de Marilena Chauí: " Ler, acredito, é uma das experiências mais radiosas de nossa vida , pois, como leitores, descobrimos nossos próprios pensamentos e nossa própria fala, graças ao pensamento e à fala de um outro."
Voltei à minha infância e lembrei de minha primeira professora. Ela era apaixonada por poemas, declamava com tanta propriedade e sentimento que era impossível não se inspirar nela.Nas apresentações e festas comemorativas, escolhia alguns alunos para recitar, e eu , sempre estava na sua lista , já que adorava ler e estudar. Em casa, minha mãe contava histórias antigas, lendas, contos de fadas, sempre antes de dormir. Era um momento especial, mágico.
Com o passar do tempo, sentia a necessidade de transmitir ao outro todo esse prazer que a leitura provocava em mim. Então, arrumava minhas bonecas em cadeirinhas e diante de uma lousinha que meu pai fez para mim, transformava-me na professora, que lia e escrevia as histórias que mais gostava para suas alunas imaginárias.
O contato com a leitura foi muito forte para mim e marcou minha vida para sempre. Não posso deixar de citar o conto de Clarice Lispector, Felicidade Clandestina, que mostra toda a magia da paixão pela leitura e a importância de uma descoberta na vida de uma garotinha. Assim também foi a minha descoberta.
PROFESSORA MARIA DO CARMO CIOFFI GARUTTI
Para mim, ler um livro é como viajar para outro mundo. Enquanto as outras meninas se preocupavam com maquiagem e garotos, sempre preferi ir à biblioteca pegar um livro para ler. Com eles, conheci a Europa, os Estados Unidos, a Segunda Guerra, bruxos, castelos, vampiros e uma série de outros lugares, pessoas e seres fantásticos. Ler é muito mais que um ato mecânico de decodificar símbolos. É adquirir novas experiências.
Lembro que aprendi a ler com gibis e revistas e, gradualmente, fui descobrindo meus primeiros livros. Cresci e meus melhores amigos eram Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. Conheci as princesas, bruxas e lobos maus. Meu primeiro livro foi "O gato de botas"e "As aventuras do cãozinho Esopo".
Lembrar-me desses livros traz à tona boas lembranças. Eles não só fazem parte do meu arcabouço de leitura como também fazem parte da minha constituição enquanto sujeito. À medida que adentrava cada vez mais fundo no mundo dos livros, me apaixonava por eles. E quanto mais apaixonada estava, mais coisas descobria e mais conhecimentos adquiria.
Assim como Danuza Leão diz no seu depoimento que não se guia muito pela lista dos mais vendidos, eu também não sou assim. Tenho minhas preferências, mas se algum livro que está muito comentado me despertar o interesse, então o leio. Particularmente adoro crônicas e contos, principalmente os textos de Luís Fernando Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Machado de Assis. Mas também gosto e leio poemas, além de outros gêneros.
A leitura para mim é um momento de prazer, um tempo que paro para ficar comigo mesma, pois durante esse tempo me envolvo completamente com o lugar e com os pensamentos e atitudes das personagens.
PROFESSORA MARIA DO CARMO SUARES LIMA
Nasci no sertão do Ceará, terra árida, hostil. Em nossa casa, extremamente humilde, não havia sequer energia elétrica. Então, nada de tecnologia. Por um lado, ainda bem, pois pude preencher meu tempo, que quando a gente é criança parece infindável, com livros. Morávamos em um pequeno sítio e minha mãe era a professora do local. A escola "era a sala da minha casa" e contemplava o 1o, 2o e 3o ano das séries inicias. Minha mãe era leiga, posto que havia cursado apenas até a 5a série do Ensino Fundamental. No nordeste tinha muito disso. Ela podia até não ter um diploma universitário, mas a vida lhe dera um diploma mais importante: o de uma professora consciente de sua função,criativa e muito dedicada.
Segundo ela, desde muito pequena, eu ficava na sala assistindo às aulas e rabiscando. O resultado foi que aprendi a ler e escrever aos 5 anos de idade. E o foi através dos livros didáticos, os únicos que existia, por isso nada tenho contra eles, ao contrário. Não me importava em ler textos fragmentados, pois eu tinha um imenso prazer em imaginar a outra parte da história. Era muito interessante ser coautora do livro. Sempre me entreguei de corpo e alma aos livros e sentia (e sinto)uma necessidade imensa de sonhar, de conhecer mundos novos, de sentir emoções. Posso dizer que a partir do momento que comecei a ler meu pequeno universo se expandiu e, lembrando Einstein, nunca mais voltou ao seu tamanho original.
Aos 9 anos eu e minha família mudamos para esse Estado e eu continuei minha relação prazerosa com os livros. Mas confesso que não tenho só virtudes como leitora. Meu Deus! Lembro-me que quando estava no Ensino Fundamental e a professora exigia que lêssemos um livro para o preeenchimento da chamada Ficha de Leitura, alguns colegas reclamavam e diziam que não iriam ler nada. Eu, muito solícita,sem exigir nada em troca, oferecia-me para ler os livros e elaborar os resumos.Assim, várias vezes os impedi de sentirem o quão o ato de ler é incrível. Mas o pior é que não consigo me arrepender disso, pode?
Mas não é só a leitura que me fascina. Gosto muito de escrever e meu sonho é publicar um livro, mesmo que seja às minhas expensas. Talvez o meu texto nem tenha qualidade literária e corro o risco de o acharem medíocre, mas não importa porque ele estará eivado de paixão e emoção. E como fez Clair Feliz Regina, vou esperar me aposentar como professora para começar a escrever. Continuarei exercendo a Advocacia, mas certamente terei mais tempo livre.
Ah, já ia esquecendo de dizer que como escritora já tenho até um público consumidor: os meus alunos.Eles dizem que serão os primeiros a comprar os meus livros. Querem incentivo melhor?



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MARIA DO CARMO SUARES LIMA (Cursista) - Matão-SP
ResponderExcluirOlá, meu nome é Maria do Carmo. Tenho 43 anos, sou casada e mãe de dois filhos lindos, um com 07 anos de idade e o outro com 4, meu maior tesouro. Tenho uma rotina diária de trabalho bastante intensa, pois exerço duas profissões igualmente importantes. Sou professora (de Português) há 25 anos (comecei aos 18 anos) e advogada há 18.
Tento desempenhar ambas as profissões da melhor maneira possível, já que odeio mediocridade e prezo a eficiência. Mas não é tarefa fácil. Já pensei e até tentei abandonar o magistério, pois sabemos que o salário e as condições de trabalho não inspiram ninguém. Contudo, não consegui. Por incrível que pareça, senti falta de algo que não sei bem o que é. E posso garantir que não foi o salário. Dizem que o magistério é um sacerdócio. E é. Parece bobagem, mas é como se eu tivesse uma missão, da qual não posso fugir. Preciso chegar aos 48 anos de idade e me aposentar para me sentir completa e realizada. Talvez porque o Magistério tenha contribuído para eu me transformar num ser humano melhor, pois aprendi a ser uma pessoa mais tolerante, mais consciente da falibilidade dos outros e da minha própria, e a entender que o mais importante não é colher os frutos, mas plantar a semente.
Abraços!
Estou curtindo muito cada depoimento. Eles me trazem boas lembranças. Há quanto tempo não falamos de nossas primeiras professoras. São momentos raros e belos falar sobre tudo isso...lembramos de entes queridos que de certa forma foram nossos incentivadores à leitura. Abraços, Maria do Carmo.
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